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sábado, 11 de agosto de 2012

Sattva, Rajas e Tamas – o que são os Gunas?

     Os Gunas, Sattva, Rajas e Tamas, são atributos da energia física primordial gerada a partir da união de Prakruti e Purusha. Tal conceito remonta à Filosofia Samkhya da Criação.
"Purusha é a energia masculina, enquanto Prakruti é a feminina. Purusha é sem forma, sem cor e ainda sem atributos, além de não ter uma participação ativa na manifestação do universo. Essa energia é consciência sem escolha, passiva.
     Prakruti tem forma, cor e atributos: é consciência com escolha, é Vontade Divina, Aquela que deseja tornar-se muitas. O universo é a criança nascida no útero de Prakruti, a Mãe Divina. Prakruti gera todas as formas no universo, enquanto Purusha é a testemunha dessa criação. É energia física primordial, contendo os três atributos, ou gunas, encontrados em toda a natureza, o cosmos em evolução." (Vasant Lad)



     Os Gunas, ou atributos da substância universal, são já muito bem explicados, belamente ilustrados e caracterizados no Bhagavad Gita: "... O Universo é o grande ventre materno no qual lanço as sementes de todas as coisas, e delas, ó filho da terra, procedem todos os seres vivos de qualquer espécie.Pois, toda vez que nasce um ser, seja em que forma for, sou eu, o espírito do pai, que lhe dou vida, deitando as sementes das quais as formas nascem. Sattva, iluminação, Rajas, atividade, e Tamas, passividade - são os três poderes que nascem da Natureza e prendem o espírito infinito a este mundo finito. Desses três, Sattva, por ser puro e luminoso, possui o som de dar alegria e beatitude à alma livre de pecado e fascinada pela verdade. Rajas, porém, a paixão que cria cobiça, empolga a alma pelo apego às obras. Tamas nasce da ignorância e é causa da auto-ilusão em todas as coisas - um nada que domina o mundo inteiro e liga a alma pela inércia da passividade."
      "Dessa forma, Sattva produz felicidade; Rajas gera atividade e desejo de conhecer; e Tamas resiste à luz da sapiência pelas trevas da insipiência. Às vezes, Sattva prevalece sobre Rajas e Tamas; e às vezes Tamas sobrepuja os dois, Sattva e Rajas. Quando perecem a luz do conhecimento e a força da cobiça, resta Tamas. Quando Tamas e Sattva se apagem, continua a arder Rajas. Mas, quando a luz divina penetra todas as faculdades do teu ser, ó Arjuna, então sabe que Sattva atingiu em ti na maturidade. Quando desejos, cobiça, ganância, ambição e dinamismo externo perturbam o sossego da tua alma, então sabe que Rajas te governa. Quando estupidez, inércia e arrogante ignorância, erro, incerteza e superstição se apoderarem de ti, então Tamas se avassalou.(...) O que procede de Sattva é luz e pureza; de Rajas nascem torturas; e Tamas gera ignorância. Sabedoria é filha de Sattva, cobiça é produto de Rajas; ilusão e ignorância vêm de Tamas. Os que vivem à luz de Sattva pairam nas alturas da consciência do Eu divino; os que vivem dominados por Rajas guiam-se pela consciência do ego mental; e os que vivem em Tamas só conhecem a vida corporal."
     "Quando o homem de visão espiritual compreende como nele se revelam essas forças da Natureza, e sabe o que existe para além delas, então ele entra na minha liberdade. Então deixa de ser o autor das obras que realiza no plano da Natureza; liberto de nascimento e morte, de pecado, sofrimento e velhice, bebe as águas vivas da imortalidade." ("Bhagavad Gita")



      "Os três princípios vitais governam as funções físicas e mentais do corpo. Para haver equilíbrio de mente e corpo é essencial que haja um equilíbrio destes três princípios vitais. Em nível de pensamento e psiquê, é essencial um equilíbrio entre as três qualidades de Prakruti, isto é - SattvaRajas e Tamas -, para manter a harmonia com o ritmo cósmico. Estas três qualidades são responsáveis pelos três estados psíquicos diferentes quase que da mesma maneira que elas representam as três características da Substância Cósmica. Estas qualidades estão presentes em todos os aspectos da vida." (Vinod Verma)

     "Os três gunas são Sattva (essência), Rajas (movimento) e Tamas (inércia). Esses três são o fundamento de toda a existência. Estão contidos em equilíbrio em Prakruti. Quando esse equilíbrio é perturbado, há uma interação dos gunas que impulsiona a evolução do universo.
A primeira manifestação de Prakruti é o Intelecto Cósmico. Do Mahad é fomado o Ego (Ahamkar). Então o Ego se manifesta nos cinco sentidos (tanmatras) e nos cinco órgãos motores com a ajuda de Sattva, criando assim o universo orgânico. Posteriormente, o mesmo Ego manifesta-se nos cinco elementos básicos (bhutas) com o auxílio de Tamas, para criar o universo inorgânico.
Rajas é a força ativa, vital da vida no corpo, que movimenta tanto o universo orgânico quanto o inorgânico, para Sattva e Tamas, respectivamente. Assim,Sattva e Tamas são energias potenciais inativas, que necessitam da força ativa e cinética de RajasSattva é potencial criativo (Brahma); Rajas é força cinética protetora (Vishnu); e Tamas é força potencial destrutiva (Mahesha). Criação, Proteção e Destruição são as três manifestações do primeiro som silencioso cósmico, aum, que está agindo constantemente no universo." (Vasant Lad)

Características resumidas dos gunas:

• Sattva
 - qualidade de inteligência, virtude, harmonia e equilíbrio;
 - possui a qualidade da leveza e da luminosidade;
 - fornece felicidade, contentamento e paz;
 - promove introspecção, auto-conhecimento e espiritualidade;
 - Sattva puro leva à transcendência
 - tem movimento centrípeto (para dentro) e ascendente (para cima).

• Rajas
 -  possui a qualidade da agitação, atividade e desequilíbrio;
 - é motivado pela ação que busca um fim que leva ao poder;
 - é um movimento para fora;
 - a ação é egoísta ou "umbigocêntrica";
 - a busca é pelo prazer nas paixões, nos sentidos;
 - pode gerar emoções desequilibradas e levar a conflitos.

• Tamas
 - tem qualidade de inércia, embotamento, escuridão e ignorância;
 - funciona como a gravidade, com movimento descendente;
 - promove ilusão, sono e perda da consciência;
 - é pesada, obscura e estagnada;
 - promove fadiga, falta de energia e depressão.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O Processo de Desenvolvimento da Doença

Kriyakala - A Doença Segundo o Ayurveda

     O Ayurveda divide o processo de adoecimento em 6 estágios, chamados de Kriyakala: acúmulo (Sanchaya), agravamento (Prakopa), transbordamento (Prosara), relocação (Sthana Samsraya), manifestação (Vyakti) e diferenciação (Bheda).
     Os dois primeiros estágios ocorrem no sistema digestivo - Kapha, no estômago; Pitta, no intestino delgado; e Vata, no cólon. Segundo o Ayurveda, é muito importante manter o desequilíbrio do dosha em seu lugar de origem, o sistema digestivo, e tentar não deixar o processo avançar além dos 2 primeiros estágios.



I. O estágio de acúmulo, ou Sanchaya, se caracteriza pelo aumento do dosha no seu lugar preferencial. 
     Excesso de Kapha no estômago cria um bloqueio no sistema que leva à lassidão, sensação de peso, palidez, inchaço e indigestão. A acumulação de Pitta cria sensações de queimação, febre, hiperacidez, gosto amargo na boca e raiva. E o excesso de Vata gera gases, distenção, constipação, secura, medo, fadiga, insônia e o desejo por coisas cálidas.
     Não há sinais nem sintomas expressivos, a não ser pequenos desconfortos, e nesta fase todos os desequilíbrios podem ser resolvidos.

II. No estágio do agravamento, ou Prakopa, o acúmulo que não foi cessado provoca o agravamento do excesso de dosha e este deixa seu local no trato gastrointestinal.
     O agravamento de Kapha causa perda de apetite, indigestão, náusea, salivação excessiva, sensação de peso no coração e na cabeça e excesso de sono. Pitta agravado causa acidez aumentada, sensações de queimação no abdomen, baixa vitalidade ou insônia. O agravamento de Vata resulta em dores e espasmos no abdomen, sons nos intestinos e delírios. 
     Os sinais do dosha agravado ficam mais evidentes.

III. No estágio do transbordamento, ou Prosara, o dosha agravado em excesso no lugar de origem começa a invadir os tecidos, em especial os mais enfraquecidos, utilizando diferentes canais de transporte. Os doshas começam a transbordar no TGI e logo em seguida juntam-se à circulação do plasma e do sangue. Durante a circulação, os doshas então começam a se infiltrar nos órgãos, tecidos e excreções. Nesta fase, os sintomas no lugar de origem continuam a piorar, mas também podem mudar e há dificuldade de se detectar o que está errado no organismo.

     Quando há redução, remissão ou alívio nos desequilíbrios, dá-se o que é chamado de Prashama. No entanto, quando o alívio não ocorre, os diversos fatores continuam atuando (através do biotipo, alimentação, ambiente ou estados emocionais) e tendem a agravar cada vez mais a situação até chegar ao estágio de transbordamento.
     O processo de adoecimento é interrompido sem causar danos ao sistema se os doshas forem pacificados num destes 3 estágios. É mais fácil retomar o equilíbrio constitucional antes que os doshas em excesso atinjam os tecidos. Um, dois ou os três doshas podem estar agravados ao mesmo tempo. Mesmo que os sintomas iniciais sejam devidos a apenas um dosha, a permanência do desequilíbrio pode levar ao desequilíbrio dos outros dois. Dessa forma, uma doença mais complexa começa a se desenvolver.
     Os estágios tardios da doença começam na quarta fase, quando o dosha em excesso transborda e encontra um ponto fraco em um dos 7 tecidos (dhatus), instalando-se aí. Neste ponto, o primeiro sinal de alarme da doença é sentido e começamos a nos conscientizar de que nossa saúde está debilitada.
     De acordo com o Ayurveda, os tecidos podem apresentar-se com pontos fracos por diversos fatores: causas hereditárias, traumas físicos ou psicológicos, emoções não resolvidas ou reprimidas, vícios, infecções e/ou doenças anteriores, por ações e atitudes nesta vida ou em vidas passadas e, finalmente, por um estilo de vida inadequado.
     O quarto estágio do adoecimento só tem lugar se houver um ou mais tecidos enfraquecidos. Se não houver, o dosha em excesso volta para a circulação sem causar danos adicionais. Quando o quinto estágio é alcançado, a doença estabelece uma raiz e o tratamento adequado é necessário. No último estágio, o excesso de dosha num determinado tecido leva ao enfraquecimento geral do organismo e, a menos que o dosha seja pacificado, ele transbordará para outros tecidos.

IV. No quarto estágio, a relocação, ou Sthana Samsraya, há o depósito do dosha em excesso no primeiro tecido que apresentar-se enfraquecido. Aqui é quando doenças específicas começam a se desenvolver. Por exemplo, um mal de Vata pode mover-se para os ossos e começar a criar artrite. Se o duodeno está fraco, os doshas se depositam lá e criam uma úlcera (em geral, uma condição de Pitta). Já Kapha move-se para órgãos como os pulmões. O dosha depositado combina-se com o tecido e com ele é produzido, assim como seus subprodutos, todos de qualidade inferior. Há produção de toxinas.

V. No estágio da manifestação, ou Vyakti, como efeito do depósito do dosha em excesso no tecido, no estágio 4, a doença se torna bem desenvolvida e começa a produzir todo tipo de sinais e sintomas clínicos. Aqui os desequilíbrios ganham nomes tais como bronquite, artrite, etc. Há a necessidade de controle da doença pela supressão dos níveis excessivos do dosha desequilibrado. Num primeiro momento, é recomendado Panchakarma e/ou tratamento com plantas medicinais. Depois, outras medidas complementares são necessárias para prevenir a recorrência da doença.

VI. No estágio da diferenciação, ou Bheda, o excesso do dosha rompe a integridade do sistema e surgem complicações. Os sintomas tornam-se, porém, suficientemente claros para que a causa elementar possa ser determinada. Por exemplo, asma de Vata irá causar pele seca, constipação, ansiedade, ataques ao amanhecer e o desejo por aquecimento. A asma Pitta irá mostrar fleuma amarelado, febre, suores e ataques ao anoitecer e à meia-noite. Já a asma criada por Kapha criará fleuma pálido, água nos pulmões e ataques durante a manhã e ao anoitecer.
     A doença atual pode se resolver, porém facilitando sua recorrência futura ou sua permanência, "adormecida", até que surjam condições propícias para que se manifeste outra vez. Mesmo quando o excesso do dosha é pacificado, o corpo torna-se mais fraco, o que exige uma atenção permanente. Se o dosha não é pacificado, o seu excesso move-se e fixa-se em outros tecidos, onde originará outras ramificações da doença.

Ama, as Toxinas

     Ama, segundo o Ayurveda, é o material parcialmente digerido que é produzido em uma digestão incompleta e que, se não for eliminado regularmente, torna-se tóxico e espalha-se pelo organismo causando vários tipos de distúrbios. Seus atributos lembram os de Kapha: pesado, frio, espesso e pegajoso. Pode ser também considerado o produto de excreção da digestão que não deveria estar presente no organismo, uma vez que este não tem um mecanismo específico para sua eliminação. Por essa razão, Ama não é considerado como um dos malas.
     Ama é produzido quando agni, o fogo gástrico, é prejudicado devido a um desequilíbrio no tridosha e o metabolismo fica drasticamente afetado. A resistência e o sistema imunológico do corpo são danificados. Os componentes da comida não são digeridos nem absorvidos, acumulam-se no intestino grosso e transformam-se na substância heterogênea, mal-cheirosa e pegajosa chamada de ama, que obstrui os intestinos e outros canais, como os capilares e vasos sanguíneos.
     Finalmente, passa por muitas transformações químicas, criam as toxinas, que são então absorvidas pelo sangue e entram na circulação geral. Eventualmente, acumulam-se nas partes mais fracas do corpo, onde criam contração, constipação, estagnação e fraqueza dos órgãos, reduzindo o mecanismo imunológico dos respectivos tecidos. Por fim, uma condição de enfermidade manifesta-se nos órgãos afetados e é identificada como patologia.
     A raiz de toda doença é ama, e há muitas causas para o seu desenvolvimento. Por exemplo, sempre que alimentos incompatíveis forem ingeridos, agni será diretamente afetado como resultado das toxinas, ou ama, criadas por essa comida precariamente digerida.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Horas do dia e o tempo das estações

(Texto traduzido e adaptado por mim, extraído do livro "Ayurvedic Cooking for Self-Healing", de Usha & Vasant Lad)


     O relógio biológico do corpo é regulado pelos doshas. O tempo de atividade máxima de Kapha é de manhã cedinho ou à tardinha, de 6 às 10 da manhã e de 6 às 10 da noite. O período Pitta é o meio dia e a meia noite, de 10 da manhã a 2 da tarde, de 10 da noite a 2 da manhã. As horas de Vata são o pôr do sol e a aurora, de 2 a 6 da manhã e de 2 a 6 da tarde.
     De forma que uma doença tipo Pitta, como úlcera, possa causar desconforto tarde da noite na hora pitta do relógio biológico. O contrário também é válido: a experiência de uma dor aguda na região do estômago tarde da noite pode significar úlcera ou outra agravação do tipo Pitta.
    Após a comida ser ingerida, ela passa por vários estágios de digestão, cada um envolvendo um dosha específico. Digerir uma refeição grande leva de 6 a 8 horas. Por aproximadamente 2 horas e meia após a ingestão, o dosha dominante é Kapha, que é associado ao estômago. Aproximadamente 2 horas e meia depois, Pitta é o dosha dominante. Esse período e o dosha são associados com o intestino delgado, onde a bile e enzimas intestinais estão agindo. Enfim, a digestão é completada no cólon, o sítio predominante de Vata, onde a absorção e a eliminação ocorrem. Este estágio é um tempo de dominância Vata. O gás, uma qualidade de vata, irá ocorrer se o alimento não for digerido propriamente.
    
     As estações também têm atributos parecidos com os dos três doshas e podem causar agravação e desequilíbrio. Por exemplo, o verão é quente, agudo e brilhante, o que provoca Pitta. Então doenças Pitta como queimaduras solares, tonteiras, exaustão, acne e diarréia podem ocorrer. Psicologicamente, as pessoas podem responder a ninharias com raiva e ira.
    O outono é seco, leve, frio, claro e ventoso, todas as qualidades agravantes de Vata dosha. Dores e desconfortos nas juntas e músculos podem se materializar, e a mente pode se tornar temerosa, ansiosa e solitária.
    O peso, frio e a umidade do inverno podem provocar Kapha, levando a tosse, resfriado e congestão dos sinos. Apego e cobiça podem se desenvolver na mente quando Kapha é agravado.
    A qualidade aquática da primavera também provoca Kapha e algumas pessoas tenderão a desenvolver resfriados de primavera, alergias e doenças respiratórias neste momento.
A mudança de uma estação a outra pode requerer a mudança da dieta de alguém por um período de tempo a fim de restaurar o equilíbrio.




Fazendo a quantidade certa de exercícios

     Os exercícios também devem estar em harmonia com a constituição específica. Indivíduos Kapha podem realizar os exercícios mais vigorosos; Pitta, uma quantidade média; e Vata, a mais moderada. Aeróbica, natação, caminhadas rápidas ou ciclismo são bons exercícios para Pitta ou Kapha, mas não para Vata.
     Vata tende a adorar pular e correr, mas exercícios como Yoga, alongamento e Tai Chi são melhores escolhas. Para pessoas com desequilíbrios mais sérios de Vata ou Pitta e para aqueles com mais de 80 ou menos de 10 anos, o exercício deve ser bem suave. Caminhar é provavelmente o melhor exercício para todos de todas as constituições.
     Mesmo para um indivíduo saudável, o Ayurveda sugere que o exercício seja realizado com metade da capacidade de cada um, ou apenas até quando houver suor na testa, debaixo dos braços ou ao longo da coluna. Esta quantidade de exercícios estimula o fogo gástrico, melhora a digestão e alivia a constipação, além de induzir o relaxamento e o sono profundo.
     Suar ajuda a eliminar toxinas, reduzir gordura e faz você se sentir bem. Porém, exercitar-se em demasia pode levar a desidratação e perda do fôlego, até mesmo dores no peito e dores musculares, eventualmente levando a artrite, ciática ou a alguma condição cardíaca.